este blog entrou em coma.
até qualquer dia camaradas
quarta-feira, 11 de março de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
entretanto fiz anos
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
notas soltas
não consigo escrever sobre o meu avô. as minhas regras, os meus principios foram essencialmente bebidos nele. sem ele não tenho mais ninguém a quem falhar. sempre tive medo de não corresponder ao que ele esperava de mim. utilizo o seu apelido apesar de não ser o meu último apelido, sou o último a fazê-lo, comigo morre esta família. com ele morreu o resto do meu passado, da minha infância, da minha mãe. Morreu o gigante que me ensinou a atar os sapatos, a ser contra a pena de morte desde a escola primária, que me ensinou muito sobre a fraqueza humana, a saber evoluir que era para ele o ponto que nos distingue dos outros: temos de estar sempre a caminhar para o amor, paz e harmonia. foi ele que me explicou o que era o esperanto, que todas as ditaduras são más, que os padres e os militares são pouco evoluídos e que os devemos ajudar. eu e o meu avô somos muito chegados, fui eu o escolhido para lhe dizer que a sua filha tinha morrido, nesse dia devolvi-lhe os ensinamentos que me tinha dado e ele sorriu e disse-me algo como: neto, lembraste-me o que eu já tinha lembrado, mas preferia ter não enterrar a nossa irmã (a minha mãe). e descansa que o avô ainda ficará mais uns tempos contigo, agora vai ajudar os outros que o avô não consegue.
para o meu avô, eu sou velho, estou nas ultimas reencarnações, tenho de ser dádiva e amor para os outros, tenho de exigir mais de mim do que exijo aos outros. desde criança que mo disse: pouco te vão ensinar, ouve tudo, muitos estão a lembrar-te do que já sabes, mas te esqueceste no teu ultimo nascimento.
a ultima conversa lúcida foi dura, menti-lhe no hospital. quando foi preciso interná-lo de vez, fui chamado para lhe explicar. quando acordou no hospital da Luz estava agitado até me ver e depois perguntou-me se era eu que estava a tratar das coisas, anuí e ele descansou... depois abriu os olhos, agarrou-me no braço com força e disse-me: neto, vieram dizer-me (nem se perguntem quem!) que já não acredistas em deus, é verdade? e eu disse-lhe: acredito em deus avô, no supremo ser e irmão! e aqui menti... e fiquei triste.
isto não é escrever sobre o meu avô, isto é sobre a minha solidão. sem ele fico sozinho, sem ninguém a quem falhar.
e agora?
tudo continua, mas sinto uma solidão com que tenho de saber lidar para não lhe falar.
se seguisse as suas intruções, dadas quando fez 70 anos, em 1990, não poderia chorar, não poderia vestir preto, não visitaria mais o seu túmulo que é mesmo da minha mãe e avó, teria de estar feliz e teria de continuar o seu objectivo de vida, ajudar os outros.
não digo adeus avô, nem até já. não digo nada porque enquanto eu viver tu também viverás. um beijo irmão humano.
para o meu avô, eu sou velho, estou nas ultimas reencarnações, tenho de ser dádiva e amor para os outros, tenho de exigir mais de mim do que exijo aos outros. desde criança que mo disse: pouco te vão ensinar, ouve tudo, muitos estão a lembrar-te do que já sabes, mas te esqueceste no teu ultimo nascimento.
a ultima conversa lúcida foi dura, menti-lhe no hospital. quando foi preciso interná-lo de vez, fui chamado para lhe explicar. quando acordou no hospital da Luz estava agitado até me ver e depois perguntou-me se era eu que estava a tratar das coisas, anuí e ele descansou... depois abriu os olhos, agarrou-me no braço com força e disse-me: neto, vieram dizer-me (nem se perguntem quem!) que já não acredistas em deus, é verdade? e eu disse-lhe: acredito em deus avô, no supremo ser e irmão! e aqui menti... e fiquei triste.
isto não é escrever sobre o meu avô, isto é sobre a minha solidão. sem ele fico sozinho, sem ninguém a quem falhar.
e agora?
tudo continua, mas sinto uma solidão com que tenho de saber lidar para não lhe falar.
se seguisse as suas intruções, dadas quando fez 70 anos, em 1990, não poderia chorar, não poderia vestir preto, não visitaria mais o seu túmulo que é mesmo da minha mãe e avó, teria de estar feliz e teria de continuar o seu objectivo de vida, ajudar os outros.
não digo adeus avô, nem até já. não digo nada porque enquanto eu viver tu também viverás. um beijo irmão humano.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
notas soltas
faz-me impressão ter um seguidor....
estou feliz por ter um chefe, já não tenho chefe entre mim e Deus desde 2001 e estou a adorar... quem diria? voltei a ler ensaios psicanalíticos sobre transferência e necessidade de autoridade para ver se percebo o porquê.
vou passar o meu aniversário à pousada de beja, numa suite com um desconto fantástico. vai ser um fartar de vilanagem de namoro, cultura e gastronomia. 3 dias de dolce fare niente.
estou feliz por ter um chefe, já não tenho chefe entre mim e Deus desde 2001 e estou a adorar... quem diria? voltei a ler ensaios psicanalíticos sobre transferência e necessidade de autoridade para ver se percebo o porquê.
vou passar o meu aniversário à pousada de beja, numa suite com um desconto fantástico. vai ser um fartar de vilanagem de namoro, cultura e gastronomia. 3 dias de dolce fare niente.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
aqui há uns tempos dividi gabinete com um tipo que tem perto de 60 anos e uma carreira.
demo-nos bastante bem, ficámos amigos. ele é uma pessoa muito especial, é um impaciente que não fala baixo, é um hiperactivo que não compreende que os outros não o sejam.
um dia, numa situação de grande stress meu e disse-me:
Oiça, algum dia você vai ter de decidir o que vai ser quando for grande!
na altura deu grande discussão, passados uns tempos dei-lhe razão, sim eu sou daqueles que pega no telefone só para dizer que voltei atrás numa opinião.
hoje mantenho: não faço puto ideia do que quero fazer quando for grande, nem sei quando serei grande.
demo-nos bastante bem, ficámos amigos. ele é uma pessoa muito especial, é um impaciente que não fala baixo, é um hiperactivo que não compreende que os outros não o sejam.
um dia, numa situação de grande stress meu e disse-me:
Oiça, algum dia você vai ter de decidir o que vai ser quando for grande!
na altura deu grande discussão, passados uns tempos dei-lhe razão, sim eu sou daqueles que pega no telefone só para dizer que voltei atrás numa opinião.
hoje mantenho: não faço puto ideia do que quero fazer quando for grande, nem sei quando serei grande.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
telefonema laboral com uma srª de 60 anos com quem reuni apenas uma vez e a quem disse não a tudo:
- Bom ano, o drº (moi même) é do benfica?
- Bom ano, sou sim. (disse eu muito seco)
- Posso convidá-lo para ver o nosso benfica no meu camarote, jantamos lá obviamente.
- Sim, já não vou lá desde a inauguração.
- Vamos trocar de telemoveis para combinarmos melhor...
(ups! estas senhoras sabem-na toda!)
- Claro que sim, posso ir acompanhado?
- .... sim, claro que sim....
:-) ehehehehehe, pensava que me engatava mas afinal vai patrocinar a 1ª ida do meu M. à boal, em camarote, com jantar e um candelabro bem jeitoso por sinal!
Vivó benfica!
- Bom ano, o drº (moi même) é do benfica?
- Bom ano, sou sim. (disse eu muito seco)
- Posso convidá-lo para ver o nosso benfica no meu camarote, jantamos lá obviamente.
- Sim, já não vou lá desde a inauguração.
- Vamos trocar de telemoveis para combinarmos melhor...
(ups! estas senhoras sabem-na toda!)
- Claro que sim, posso ir acompanhado?
- .... sim, claro que sim....
:-) ehehehehehe, pensava que me engatava mas afinal vai patrocinar a 1ª ida do meu M. à boal, em camarote, com jantar e um candelabro bem jeitoso por sinal!
Vivó benfica!
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