num domingo solarengo como hoje fomos almoçar ao artur. carapaus fritos com cebola de entrada, cozido à portuguesa, vinho tinto, encharcada, café e aguardente. a caminho de casa o público e tabaco. um domingo que se advinha bom, de manhã netámos e rimos dos meus pesadelos, agora à tarde já um pouco ébrios adivinhei uma tarde entre festas aos gatos, paper e noticiários mas enganei-me.
um amigo com problemas de toxicodependencia e depressão que vive em londres enviou-me um mail, um reencaminhamento de um mail que mandou à agora ex-namorada. uma carta brutal, seca, rancorosa, injusta e mal educada. um amigo do coração mandou-me um grito de ajuda, um pedido de confirmação a uma atitude que não concordo e que me fez lembrar um passado meu que ele na altura ajudou a ultrapassar.
com que facilidade se esqueceu de tudo o que me disse na altura. seremos todos assim?
o que lhe dizer? como explicar a um amigo doce, meigo e que amo que se comportou como um crápula e que deve pedir desculpas rapidamente.
mas afinal que bolha nos tolda o cérebro quando somos deixados? que bolha não nos deixa ver que do ataque rancoroso não nasce amor mas separação? porque é que amando ofendemos quem queremos conquistar? esperamos nós que do mau nasça o bom?
a este meu querido amigo só me deu vontade de dizer que teve muita sorte em estar fora ou eu teria-lhe dado um enxerto de porrada por estar a ofender a pessoa que ama e que largou um casamento marcado com convites enviados por ele. mas acabei por lhe tentar explicar com filosofia barata que não está sozinho, que eu estou cá e que tenha calma, seja um gentlement e peça desculpas porque um cavalheiro não escreve ou diz tudo o que pensa ou sente.
agora fiquei triste, porque um história de amor, daquelas que mete fugas e tudo, para a minha casa claro está, acabou com acusações e ofensas desnecessárias.
para o jantar truta grelhada com toucinho lá dentro, vinho tinto e sorvete de limão.
domingo, 26 de outubro de 2008
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